quarta-feira, 9 de março de 2011

Esperança

Hoje me encontro no meio de uma biblioteca, sentado, isolado, perdido e quem sabe, até mesmo esperançoso. Esperança que aos poucos me corrói e me corrompe, fazendo-me desistir de minha significância mortal e quase levando-me ao delírio de um pobre destino enlouquecido.

Fui capturado e jogado em uma cela perdida no meio do nada. Agora espero ansioso pela liberdade enquanto integro a minha existência à corrente da vida e derivo o meu sonho de um dia poder me soltar destas algemas que prendem meu solitário coração a uma escuridão perdida em um mar de mágoas eternas e mortais. Mágoas que consomem todo e qualquer tipo de felicidade que possa existir em um mundo perdido pela insolência insignificante daquele que um dia achou que poderia livremente caminhar por um mundo repleto de discórdia e destruição, eu.

Vejo-me agora obrigado a pagar pelos meus pecados. Neste mundo que aos poucos tenta se regenerar de todo o caos e sofrimento que por tanto já passara, eu me vejo preso em uma cela, sendo forçado a me confortar em inúteis lembranças de alguém que um dia acreditou que seria possível mudar o mundo com suas tão tolas palavras.

Portanto, deixo-me ser levado por essas longínquas memórias enquanto sinto o fio de minha vida escorrer por meu corpo e aos poucos deito-me em minha cama de palha e recosto minha cabeça em meu travesseiro de pedra, fecho os meus olhos e vejo a imagem da temida se aproximar de mim. Percebo então que minha liberdade finalmente se aproximava de mim e com isso um leve sorriso aparecia em meu rosto.

Não tenho mais objetivo neste mundo, leve-me então, doce morte, pois por meus pecados eu já paguei.

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